Matéria pronta

Carros abandonados apodrecem nas ruas de Campinas

As carcaças se tornam um problema para o trânsito caótico e para a saúde da população

É comum encontrar carros velhos abandonados nas ruas das grandes cidades. São veículos em péssimo estado de conservação e sem condições de uso. A maioria está depenada e sem placa. Pertencem a ferros-velho, oficinas mecânicas, desmanches próximos ou não possuem dono identificado.

No ano de 2009, a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) registrou 56 ocorrências na cidade de Campinas, vindas de denúncias de moradores. Porém, basta dar uma volta para encontrar um número maior desses veículos “esquecidos”. Com o tempo, as carcaças vão apodrecendo nas ruas, causando muitos transtornos. Atrapalham o trânsito, degradam o ambiente além de representar um problema para a saúde pública.

“Esses carros atrapalham o trânsito das intermediações. Já vi quase acontecer um acidente devido a esse lixo deixado na rua”, afirma o engenheiro de telecomunicações Marcos Duarte. Morador de um bairro campineiro onde há pelo menos quatro casos de abandono, ele ainda afirma que as carcaças próximas a sua casa estão paradas ali há pelo menos três anos. Indignado com a falta de atitude das autoridades responsáveis, Duarte diz já ter reclamado inúmeras vezes no telefone da prefeitura, porém nada foi feito. “Certificaram-me que registrariam a reclamação e passariam a ocorrência para a polícia investigar, e até agora não vi nada acontecer”, criticou.

Muitos desses veículos viraram depósitos de lixo, e os vidros, abertos ou quebrados, abrem espaço para a água da chuva, que pode se acumular dentro do carro e até virar foco do mosquito da dengue. A vigilância sanitária considera essas carcaças como pontos de risco, pois são locais que apresentam alta probabilidade de se tornarem criadouros do mosquito Aedes aegyp, transmissor da dengue. Existem três níveis de pontos de risco. O ponto de risco alto é visitado uma vez por mês pelo Centro de Controle de Zoonoses de Campinas (CCZ) uma vez por mês, que elimina o criadouro. Os pontos de risco médio e baixo são visitados por agentes de saúde ou agentes ambientais a cada 15 dias. A cada visita, os agentes eliminam os focos, aplicam veneno, dão orientação ao proprietário da residência ou estabelecimento próximo e fazem relatório para enviar à vigilância sanitária. Porém, a vigilância sanitária, o CCZ e os agentes não têm autoridade para retirar os carros desses locais. “Os agentes e o CCZ apenas podem assegurar que estão cumprindo seu objetivo, que é eliminar os focos da dengue”, afirma a agente de saúde Maria Aparecida de Souza Moraes.

A falta de ferramentas dificulta a retirada desses carros. Segundo a Emdec, a remoção não pode ser feita se estiverem estacionados em locais permitidos. Se não houver queixa de roubo ou atraso com o pagamento do Imposto sobre Propriedade de Veículo Automotivo (IPVA) ou o licenciamento, o máximo que pode ser feito é um acordo amigável. A partir do Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam), a empresa entra em contato com o dono e pede que o carro seja retirado da via. Se estiver depenado e sem placa, cabe ao Departamento de Limpeza Urbana retirá-lo. Se for carro roubado, a polícia se torna responsável por essa tarefa.

Carros abandonados – a lei do mercado?

Manter um carro antigo pode custar caro e, portanto, ser inviável para boa parte dos brasileiros. Por isso, cada vez mais pessoas optam pela compra de um carro mais novo. Atualmente, há grande facilidade para comprar um veículo zero km. O consumidor pode pagar em até 72 meses sem entrada. Os automóveis mais antigos se tornam um problema para o dono, e essas raridades se perdem pelo simples abandono.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgou no último dia 04 de março que a produção de veículos novos, no Brasil no primeiro do bimestre de 2010 atingiu 499,5 mil unidades. Um crescimento de 28,3% em comparação com o mesmo período do ano passado, quando foram produzidos 389,3 mil. Segundo a associação, 2010 será o melhor ano da história do setor no país, com crescimento de 9,3% nas vendas, o que corresponde ao volume de 3,4 milhões de unidades. Esses números mostram que a lei do mercado está cada vez mais presente nesse setor. Todos os dias, a frota da cidade de Campinas ganha em média 100 novos carros.

O mercado de seminovos também é grande. O fim da redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros zero-quilômetro aqueceu o comércio de autos usados, contabilizando um aumento de 30% no volume das vendas. Para cada carro zero km, são comprados três seminovos.

Segundo pesquisa realizada pelo Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), a frota de carros com mais de 20 anos caiu de 9% para 4,4% dos quase 30 milhões de veículos existentes no Brasil.

Contrariando a lei do mercado, há aqueles apaixonados por carros que compram veículos antigos para restaurar. Há também os colecionadores, que preservam seus carros há anos. Um exemplo disso são as feiras de exposições de carros antigos. A cidade de Águas de Lindóia, no interior de São Paulo, recebe desde 1996 o Encontro Paulista de Autos Antigos, que recebe visitantes estrangeiros e de todo o Brasil.

Como denunciar

Para denunciar veículos abandonados, é preciso ligar para o 156 da prefeitura ou diretamente para a subprefeitura local, que deverá constatar se o carro está “esquecido”.

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A pesquisa está chegando ao fim..

O semestre está chegando ao fim e, junto com ele, o blog também se encerra. Foram semanas correndo atrás de fontes, informações e fotos para a construção dessa matéria sobre carros abandonados. Acho que a minha maior dificuldade foi encontrar o foco para escrevê-la. No começo eu queria mostrar apenas esse abandono e a solução para a retirada das carcaças, que é algo muito complicado, já que as autoridades ficam fazendo um jogo de empurra-empurra. Mas eu me empolguei. Fui tentar encontrar o motivo pelo qual as pessoas deixavam esses automóveis nas ruas. Vi que são muitas possibilidades, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros zero km, o custo de manter um carro antigo, as facilidades para comprar um carro seminovo, além do não pagamento do IPVA. Vi algumas pesquisas que mostravam que a frota de automóveis do Brasil está mais jovem. Eu até coloquei isso na matéria. Apenas 4,4% dos carros têm mais de 20 anos.

Empolguei-me mais ainda quando eu descobri um amigo que frequenta feiras de carros antigos. Achei que seria outro ponto que eu poderia abordar na matéria. Falar que, contrariando a lei do mercado, há ainda aqueles apaixonados por veículos antigos. Por fim, eu tinha muitas coisas para abordar e não sabia por onde começar. Achei mais fácil começar pela minha primeira idéia de falar dessas carcaças, quais os problemas que elas causam e qual a solução para remoção. Depois, tentei falar um pouquinho sobre cada outra coisa. Mas acho que esse assunto renderia outras matérias. Mais um motivo pelo qual eu não vou tirar esse blog do ar. Acho que pode ser importante para uma reportagem que eu pretendo fazer futuramente, podendo até publicar no veículo para o qual eu estiver trabalhando. Daqui um tempo, posso até ver se algo mudou para a solução de retirada dessas carcaças ou se continua a mesma coisa.

Para tirar as fotos, eu não tive dificuldades, pois perto da minha casa tem muitas carcaças. A experiência que eu tive com essa matéria foi sensacional. Descobri algo que incomoda as pessoas, mas muitas delas não vão atrás. Minha tia foi reclamar dessas carcaças e eu contei pra ela tudo que sabia. É sempre bom ter repertório para falar com autoridade sobre determinado assunto. Não faria nada diferente. Acho que tudo que eu consegui na matéria, ficou dentro do esperado.

E o blog me ajudou bastante. Quando eu esquecia algo, corria pra internet para ler o que eu já tinha feito. E isso me deu muito mais segurança. Acho que um relato semanal é importante para a construção de uma matéria. Pretendo fazer isso mais vezes. Além disso, você consegue compartilhar com os outros o seu conhecimento. Não adianta nada saber se não puder contar para os outros. Principalmente em um assunto de  interesse público como esse.

A matéria, enfim, está pronta. Postarei logo.

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Mais fotos

Eu já postei algumas fotos de carros abandonados. Elas são primordiais para a minha matéria. Acho que ver o problema é bem diferente de ler sobre o problema. Causa mais impacto. Por isso minhas fotos são tão importantes. Hoje, eu estou postando algumas fotos do XIII Encontro Paulista de Autos Antigos de Águas de Lindóia – SP que eu prometi no penúltimo post. Essas fotos são do Guilherme Cambiaghi, um amigo meu. Elas são importantes para contrastar as fotos dos carros abandonados. Mostram outro destino à esses veículos antigos. Esses carros são muito bem cuidados e mostram que é uma pena ver as carcaças abandonadas nas ruas.

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Sites

Achei vários blogs e sites legais sobre o assunto, que vão me ajudar muito na construção da reportagem. Para quem se interresar, só entrar no meu delicious .

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Avanço na pesquisa

No último post, eu falei que o professor Fabrício tinha me sugerido entrar em contato com  um consultor automobilístico. Encontrei na internet o Sr. José Roberto Ferro. Entrei em contato com ele por email. Ele foi muito educado comigo, mas infelizmente não vai poder me ajudar. Ele disse que não tem feito mais pesquisas sobre essa indústria, e, portanto, não poderá me explicar nada sobre os temas que sugeri. Vou tentar entrar em contato outro profissional dessa área que possa me dar uma luz sobre esse aspecto que eu quero abordar.  Falei com um amigo meu também. Ele  frequenta exposições de carros antigos. Me cedeu várias fotos de um evento desse que ocorreu na cidade de Águas de Lindóia – SP. Ele tem um carro antigo e aceitou falar um pouco dos cuidados que ele tem que ter com seu automóvel. Essas feiras são outros destinos para os carros abandonados. Destino incomparavelmente melhor que as ruas da cidade. Depois eu posto as fotos.

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Fotos

O que seria da minha matéria sem as fotos? Vou mostrar algumas já tiradas de carros antigos nas ruas de Campinas.

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Fontes

Bom gente, já tenho algumas fontes e algumas informações. Falei com uma agente de saúde (para ela explicar sobre a questão da saúde – como esses carros podem se tornar criadouros do mosquito da dengue), com o assessor de imprensa da EMDEC (para ele explicar qual o procedimento de retirada dessas carcaças das ruas), com meu vizinho que já ligou várias vezes para reclamar e não foi atendido além de eu já ter ligado também no 156 para reclamar e saber o procedimento. O professor Fabrício pediu que eu conversasse com um consultor automobilístico para tentar entender o motivo desse abandono. Tenho minhas hipóteses. Vamos ver o que ele vai falar. Vou mandar um email para ele agora.

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